Previsão orçamentária do condomínio sem erros

07 de outubro de 2019
Foto de capa da matéria do jornal o Dia com um lápis e uma nota fiscal para a pauta "Previsão orçamentária do condomínio sem erros" do Blog da Estasa.

Na ponta do lápis! Planejamento orçamentário do condomínio deve ser feito com muita atenção.

Assim como as empresas, os condomínios devem fazer seu orçamento para o próximo ano, definindo gastos, investimentos e o valor da cota a ser dividida por todos os condôminos no próximo período. E, como nas grandes corporações, o momento exige muita cautela dos síndicos.

Para Claudio Affonso, diretor de Condomínios da CIPA, o mais importante é elaborar uma previsão orçamentária coerente e conhecer bem a operação do condomínio, sempre se programando para obras ou reparos emergenciais.

– Uma vez elaborada a previsão orçamentária, o principal papel do gestor será procurar não fugir do orçamento e ter atenção redobrada nas despesas de consumo, como luz e água. Também é necessário ser diligente junto aos inadimplentes e, sempre que houver necessidade de gastos extraordinários, emitir um novo rateio específico para não afetar o seu orçamento ordinário – recomenda Affonso.

Flávia Ramos, gerente de condomínios da Precisão Empreendimentos Imobiliários, lembra que existem duas situações nesse caso. Há condomínios que fazem o rateio do 13º salário e das férias dos funcionários ao longo do ano.

Nesse caso, a previsão orçamentária deverá ser feita no final do ano e aplicada em janeiro – explica ela.

Ela complementa lembrando que, quando se trata de previsão orçamentária para todas as despesas ordinárias do condomínio, a discussão é na Assembleia Ordinária em que é apresentada a projeção para o próximo ano ou gestão.

Assembleia é soberana

O orçamento é apresentado pelo síndico ou pela administração do condomínio e sua aprovação é votada em assembleia. E a assembleia é soberana para a decisão, e pode também propor alterações na previsão orçamentária.

Habitualmente se aplica um percentual de reajuste sobre o valor da cota condominial atual, no intuito de antecipar eventuais ajustes de preços nas tarifas públicas (luz, água e gás) – explica Rafael Thomé, diretor de condomínios da administradora BAP.

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Rafael lembra ainda que toda definição impacta no orçamento e precisa estar refletida nos números do próximo ano. Por isso, é fundamental definir o nível de serviço que os condôminos querem e ressaltar que tudo impactará nas contas. Por exemplo, porteiro 24 horas, vigias, periodicidade da manutenção do jardim, forma de acesso dos moradores, funcionários próprios ou terceirizados etc.

O grande desafio de toda administração condominial é conciliar o nível de serviço que todos querem ter (limpeza, segurança, comodidade, conservação) com o valor que todos podem ou querem pagar – diz ele.

Foto contendo contas de luz da LIGHT para a pauta "Previsão orçamentária do condomínio sem erros" do Blog da Estasa.
Os síndicos precisam ter atenção redobrada nas despesas de consumo, como a luz e água, por exemplo. (foto: Domingos Peixoto)

Custo de pessoal é de 60%

Em uma previsão orçamentária, a parte de pessoal representa, geralmente, 60% dos custos. Flávia Ramos, gerente de condomínios da Precisão Empreendimentos Imobiliários, explica que, quando a administradora apresenta a previsão orçamentária, no que diz respeito à folha de pagamento, os valores lançados seguem a estimativa do último dissídio.

A preocupação, nesse caso, é saber se o valor do dissídio do próximo ano seguirá dentro da margem de estimativa que a administradora irá utilizar. Se a previsão for menor, corre o risco de prejudicar o orçamento do condomínio – explica Flávia.

Anna Carolina Chazan, gerente de Gestão Predial da Estasa, lembra que o reajuste da cota é sempre um desafio, pois inescapavelmente onera as despesas do morador.

O reajuste dos funcionários é o que mais impacta e nem sempre é possível estabelecer um orçamento abaixo da inflação – salienta.

Cortes de gastos e dispensa de funcionários devem estar neste planejamento? Flávia Ramos, da Precisão, explica que sim, já que a previsão orçamentária deve ser elaborada de forma precisa.

Ela lembra ainda que se cortes de gastos foram necessários, o síndico deverá renegociar contratos e dispensar serviços supérfluos. A folha de pagamento, por ser o maior impacto financeiro do prédio, deverá ser enxuta. Cada condomínio tem sua necessidade quando se trata de quadro de funcionários.

O importante é não haver horas extras excedentes, fazer o prévio planejamento de férias e suas coberturas e, se for preciso, é necessário estudar novas possibilidades para redução ou adequação do quadro de funcionários. Nesse caso, basta o condomínio solicitar o auxílio do departamento pessoal de sua administradora – diz ela.

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