Orientações para o combate ao coronavírus em condomínios

16 de março de 2020
Foto de prédios no Centro do Rio de Janeiro para a pauta "Orientações para o combate ao coronavírus em condomínios" do Blog da Estasa

Síndicos devem suspender reuniões, e uso de salões de festas e churrasqueiras

RIO – A determinação para evitar combater o coronavírus é ficar em casa, o que aumenta a necessidade de cuidados nos prédios. A Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (ABADI) preparou uma cartilha com orientações específicas para condomínios de prevenção ao coronavírus (Covid-19). De acordo com o a associação, o síndico tem poder, em uma situação de força maior, de determinar o fechamento das áreas comuns do condomínio, como piscina, quadras esportivas, salões de festas, academia e outros.

“Caso algum condômino esteja com coronavírus e faça quarentena domiciliar (14 dias em casa em isolamento, sendo monitorado à distância), o síndico pode avisar sobre uma pessoa doente aos demais moradores, mas sem relevar sua identidade”.

No condomínio Cores da Lapa, com 685 unidades, foram adotadas medidas como cancelamento de assembleias e reuniões, fechamento de saunas e afins e orientação para os moradores para deixar as janelas abertas.

Luiz Barreto, presidente da administradora Estasa, afirma que, como agora a ordem é ficar em casa, os condomínios devem redobrar a atenção, mesmo que seja com medidas consideradas radicais.

– Estamos mandando um comunicado para todos os condomínios que administramos. A ordem é fechar todas as academias e salão de jogos. Obra e manutenção só em casos emergenciais: não é hora de trocar o piso da sala – alerta.

Em relação aos funcionários, de acordo com o diretor executivo da BAP Administração de Bens, Rogério Quintanilha, a primeira ação no condomínio é afastar os grupos de risco: pessoas com mais de 60 anos, hipertensos, diabéticos, fumantes e pessoas que estejam fazendo tratamento com quimioterapia.

– É recomendável um rodízio para a redução dos empregados em serviço.

Álcool em gel

Para quem ficar trabalhando, Sonia Chalfin, diretora da Precisão Empreendimentos Imobiliários, lembra que é preciso instruir o funcionário com relação à sua situação, além de recomendar a higienização primeiramente com pertences de uso pessoal ao iniciar sua jornada de trabalho, intensificar a limpeza com álcool em gel, papel toalha e produtos destinados a higienização das superfícies que são acessadas muitas vezes ao dia, como elevadores (botões, corrimãos, maçanetas e qualquer outro item de uso compartilhado).

O síndico Paulo Badin, de um condomínio com 685 apartamentos, fechou os espaços de uso comum (academia, sauna, quadra de esporte, salão de jogos, sala de brinquedos, cinema, etc) por um prazo indeterminado (que é revisto semanalmente). Além disso, cancelou todas as reservas do salsão de festas pelos próximos 30 dias, medida que poderá ser alterada conforme evolução da pandemia. Os moradores estão colaborando.

– Até mais do que eu imaginava. Parece que eles, realmente, estão entendendo a gravidade da situação – diz Badin.

Já o síndico profissional Lucas Tostes, da LT Gestão, afirma que, apesar de todos os avisos nos elevadores e aplicativo de moradores, alguns insistem em não cumprir o isolamento social.

– Alguns aproveitam a temporada em casa para ir na piscina ou deixar as crianças no parquinho, o que é arriscado – lamenta ele, que administra dez prédios no Rio.

O advogado André Luiz Junqueira lembra que, mesmo sem autorização da assembleia, o síndico pode comandar gastos relacionados a equipamentos de proteção individual (EPI) para seus funcionários (máscaras, luvas, água e sabão para os funcionários, assim como álcool em gel ou líquido 70% para a limpeza de superfícies).

– Também é recomendável a instalação de dispensados com álcool em gel nas áreas comuns do condomínio. Embora o fornecimento de álcool seja um custo, é uma vantagem para o condomínio mantendo o ambiente mais limpo e diminuindo a disseminação do vírus nas áreas comuns.

No caso das entregas, Luiz Barreto, presidente da Estasa aconselha que os prédios criem políticas como o morador buscar na portaria ou fora do prédio.

No caso de um morador contrair o coronavírus, Sonia afirma que, cabe ao síndico comunicar aos demais condôminos a respeito da confirmação da doença no edifício – sem necessariamente, expor a identidade do enfermo – e dar esclarecimentos sobre o tempo de quarentena domiciliar.

Recomendações para condomínios:

– Disponibilizar álcool gel em áreas estratégicas: próximo a elevadores, portarias e em áreas de uso coletivo

– Disponibilizar cartazes de comunicação e orientação aos moradores

– Orientar e dar assistência aos funcionários do condomínio e tentar afastar os mais idosos ou com doenças crônicas, que fazem parte do grupo de risco

– Caso algum colaborador do condomínio manifeste sintomas da doença, comunicar imediatamente à administração e serem afastados

– Suspensão das assembleias e reuniões presenciais, salvo em situações imprescindíveis. Neste caso, realiza-las em ambientes arejados, mantendo uma distância de, pelo menos, um metro entre os participantes

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– Se possível, promover o fechamento temporário de espaços de uso coletivo, como piscina, sauna, academias, quadras esportivas

– As piscinas mantidas abertas devem ser cloradas por profissionais

– Exigir procedimentos de limpeza rigorosos no condomínio, especialmente em maçanetas, botoeiras, corrimãos, elevadores, playgrounds, academias e halls comuns

– Funcionários da limpeza devem usar equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas

– Na limpeza geral é recomendado o uso de alvejantes, álcool ou produtos com hipoclorito de sódio

– Com as crianças em casa, será importante manter a comunicação com pais e responsáveis para evitar que haja aglomeração no playground do condomínio

– Manter os banheiros das áreas comuns sempre abastecidos com sabão, papeis e álcool em gel

– Suspender a cessão de uso de espaços para eventos como: salões de festas, churrasqueiras, espaços gourmet, entre outros

– As garagens são, na maioria dos casos, fechadas e a circulação de pessoas deve ser apenas em casos de real necessidade

– Evitar elevadores lotados

– Estabelecer um fluxo racional para entregas em domicílio, a fim de evitar ao máximo o contato corporal

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Fonte: O Globo – Coronavírus: com mais moradores em casa, a ordem é redobrar os cuidados nos condomínios